Frota de caminhões está obsoleta, diz sindicato
          

A frota de caminhões de carga do Grande ABC está obsoleta, com idade média estimada em 18 anos, quando eles deveriam ser substituídos, no máximo, a cada sete anos. A declaração é do presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do ABC (Setrans), Antonio Oliveira Ferreira. Segundo ele, os vários aumentos ocorridos nos últimos anos nos combustíveis e e insumos com preços fixados em dólar, além da difícil queda de braço entre as transportadoras e as empresas que se utilizam dos serviços, culminaram com uma frota defasada e que coloca em risco a segurança das pessoas que dividem, com seus veículos, as estradas do país.

Segundo Ferreira, a realidade vivida na região é uma amostragem do que ocorre no setor no Brasil. “Nossos grandes problemas são a falta de sensibilidade do governo para o aumento abusivo dos combustíveis e de outros insumos para o setor, o excesso de pedágios e seus altos preços, além da insensatez das empresas que querem continuar pagando preços defasados pelos fretes.” De acordo com Ferreira, a elevação dos custos para o setor, no encerramento de 2002, somaram cerca de 90%. Segundo ele, o litro do diesel que custava R$ 0,82 em janeiro de 2002, pulou para cerca de R$ 1,60 em janeiro deste ano. Apenas no mês passado, o combustível subiu 9,83%.

Para Ferreira, o orçamento apertado faz com que muitas empresas encontrem alternativa na aquisição de peças de segunda mão, pneus de qualidade questionável, entre outros artifícios. Ele disse que a falta de regulamentação para o setor abre inúmeros precedentes para que várias empresas operem desta forma.

O diretor de Vendas de Caminhões da Scania Brasil, Silvio Munhoz, concorda com o presidente do Setrans. Segundo ele, a idade média dos caminhões leves e médios, no Brasil, transita entre 15 e 18 anos, porém, no segmento de caminhões pesados, é muito comum se encontrar veículos com mais de 30 anos de idade em circulação pelas entradas brasileiras, no transporte de cargas.

Para Munhoz, a frota antiga acarreta três tipos de problema: aumento do consumo de combustível, redução da segurança nas estradas e emissão de poluentes na atmosfera. “A remuneração do caminhoneiro, bem como da transportadora, é barata no país. Isso as empresas que se utilizam desse tipo de serviço não entendem que agrega valor e não querem pagar.” Dessa forma, segundo o diretor, “vivemos um círculo vicioso em que o caminhoneiro recebe pouco, entende que não conseguirá ganhar mais e conforma-se com seu caminhão antigo, trabalhando por um frete ínfimo e colocando muita gente em risco nas estradas”.

 

'É uma questão de cidadania', diz Anfavea

Do Diário do Grande ABC

  Na visão do presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Ricardo Carvalho, a renovação da frota brasileira é questão de cidadania. “Temos a inspeção veicular, só falta ela ser aplicada. É triste verificar tantos problemas e riscos nas estradas brasileiras, quando um documento tão abrangente permanece na gaveta.”

De acordo com Carvalho, enquanto alguns podem equivocadamente dizer que a Anfavea estimula a renovação da frota porque isso aquecerá seus negócios, ele se apega no fato de que veículos antigos em atividade representam riscos à população e custos ao governo. “A quantidade de acidentes ocasionados por falta de manutenção, peças velhas, entre outros fatores, acarreta despesas enormes com indenizações, gastos em hospitais, medicamentos, absenteísmo, entre outros.”

Segundo ele, a Anfavea entende que a questão precisa ser debatida. “A inspeção veicular precede a renovação da frota. Ela precisa ser aplicada mesmo, com severidade, o quanto antes. Do contrário, continuaremos a ter esse quadro caótico e assustador nas estradas brasileiras.”

Faltam linhas de crédito para frotista

Do Diário do Grande ABC

Segundo o diretor de Vendas de Caminhões da Scania Brasil, Silvio Munhoz, um caminhão antigo custa em média R$ 30 mil. É com ele que o caminhoneiro ganha a sua vida, ou melhor, ganham para se alimentar e suprir as necessidades básicas. “Como é que ele vai conseguir comprar um caminhão novo que custa entre R$ 230 mil e R$ 250 mil? Por mais que as montadoras facilitem a aquisição do veículo, ainda faltam linhas de crédito.”

Segundo ele, o passo mais acertado para resolver a questão estaria na aplicação da inspeção veicular. “Se o governo atuar com energia neste ponto e, simultaneamente, abrir linhas de crédito coerentes para o setor, a renovação da frota se dará de maneira acelerada.”   Segundo o diretor da Scania, hoje o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disponibiliza a verba para que os bancos façam suas linhas de crédito. Porém, como as instituições financeiras sabem que se o caminhoneiro não conseguirá pagar, será ela quem deverá prestar contas ao BNDES, os bancos então não assumem o risco. “Eles são seletivos e, em vez de darem um prazo entre cinco anos e sete anos para que o caminhoneiro ou frotista pague o veículo, como na Europa, esses bancos querem que a quitação do veículo ocorra em 48 meses ou 60 meses. É pouco. O governo deveria se impor nesta questão.”

Um dos itens que mais deveriam sensibilizar as autoridades é a segurança. “Há dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas que mostram que o número de pessoas mortas no Brasil por conta de acidentes ocasionados por caminhões antigos é o mesmo que tivéssemos a queda de um Boeing 737, que leva cerca de 120 pessoas, a cada 20 dias.