O acordo entre Varig e TAM
          
A assinatura de um protocolo de entendimento entre a Varig e a TAM, visando à criação de uma nova empresa, é uma auspiciosa tentativa de encontrar uma solução para a crise das duas empresas. Até 30 de junho, os diretores das transportadoras e os assessores financeiros por elas contratados deverão definir o modelo de integração das empresas. Fala-se na criação de uma holding que controle a Varig e a TAM, que continuariam a operar com suas próprias marcas, ou na criação de uma nova empresa, que começaria a funcionar sem carregar os enormes passivos atualmente existentes.

 

São soluções ousadas e de difícil implementação. Uma holding teria de administrar o patrimônio negativo da Varig - ela deve mais do que a soma de todos os seus ativos - e os prejuízos operacionais da TAM, que não tem dívidas acumuladas. Sem grandes injeções de capital novo, o problema seria apenas transferido de uma razão social para outra. Já a criação de uma nova empresa, constituída pela parte saudável da Varig e da TAM, teria o inconveniente de deixar insolváveis os débitos existentes, inclusive o passivo trabalhista. É de se notar que esse problema não existiria se o projeto da nova Lei de Falências já estivesse aprovado pelo Congresso. O projeto em tramitação prevê a hipótese de falência, alongando-se o cronograma de pagamento dos débitos e permanecendo a empresa em funcionamento para poder gerar recursos que cobririam suas obrigações.

 

Se do protocolo de entendimentos não resultar qualquer modalidade de fusão das empresas, mas, sim, um acordo operacional que reduza custos, já se terá dado um bom passo no sentido do saneamento da indústria de transporte aéreo.

 

A crise que afeta todas as grandes empresas do setor é uma crise de gestão - como a da Varig -, mas também é estrutural. A desregulamentação do setor desencadeou uma selvagem competição entre as empresas, que ainda foram atropeladas pela alta do dólar - moeda de referência de 50% a 60% dos custos totais - e do combustível, pela retração da economia e por uma implacável carga tributária que corresponde a pelo menos o dobro da que é paga por transportadoras americanas e européias. Além de todos esses ônus, as empresas brasileiras têm um excesso de oferta de assentos que, como observou o ministro do Desenvolvimento, gira em torno de 35% a 40%. Um acordo operacional racionalizaria a malha de linhas e reduziria a oferta de assentos, possibilitando o enxugamento das frotas. Hoje, o arrendamento de um avião que atende as linhas domésticas custa cerca de US$ 300 mil mensais.

 

Os das linhas internacionais custam em torno de US$ 700 mil.

 

O acordo entre a Varig e a TAM foi assinado após fortes pressões exercidas pelo governo sobre as empresas. A política oficial tem sido a de apoiar soluções de mercado para a crise das empresas aéreas. Os ministros da Defesa e do Desenvolvimento e o comandante da Aeronáutica têm reiterado que o governo não agirá como hospital para as transportadoras, que, apesar disso, insistem em obter auxílio do BNDES. O governo faz bem em manter-se firme nesse curso. Mas precisa, também, acelerar a reestruturação do setor, apressando a criação da Agência Nacional de Aviação Civil e revendo os marcos regulatórios dessa atividade.